Antes de pousar em Osaka, eu conferi na wikitravel quais eram os passeios divertidos na cidade. A opinião unânime era de que o passeio mais memorável era no Castelo de Osaka, mas eu não queria ir pra lá. Eu sabia que esse castelo tinha sido destruído durante um bombardeio americano na segunda guerra, e o castelo atual era só uma reconstrução. Melhor gastar o tempo no Japão com castelos originais né?
Em retrospecto, agora eu vejo que isso foi um erro. Não é apenas o Castelo de Osaka que é uma reprodução, praticamente tudo que você for visitar no Japão foi reconstruído em algum ponto. O motivo é claro: dada a propensão a terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas e guerras com vizinhos, nada dura no Japão por muito tempo.
Mas, de longe, o maior vilão dos monumentos japoneses é o incêndio. Boa parte das reconstruções foram devidas a um incêndio. Isso é fácil de explicar se você prestar atenção num monumento típico japonês, como as onipresentes pagodas:
Convenhamos, se você vai fazer um monumento pontudo, apontando para o céu, e com material inflamável, não tem como reclamar de incêndio né? Quando o Tokugawa fechou o Japão para o exterior, ele também impediu a entrada da ciência ocidental que se desenvolvia. Aí, enquanto os japoneses brigavam com espadinha, do outro lado do Pacífico o Franklin inventava o pára-raios, que teria salvo muitos monumentos japoneses.
Só para dar um exemplo de quantos monumentos japoneses passaram por apuros, fiz uma lista com alguns dos que visitei:
O Castelo de Nijo
O Castelo de Nijo teve a construção iniciada em 1601 por ordem do próprio Tokugawa. Em 1750 ele foi destruído num incêndio causado por um raio, e poucos anos depois, em 1788, foi destruído novamente em um incêndio que queimou quase toda a cidade.
O Templo de Toji
Erigido no ano de 796, o templo de Toji foi onde surgiu inicialmente o Budismo Shingon. No século 16, incêndios e guerras destruíram a maior parte do complexo, e o Kondo, o prédio principal da foto, só foi reconstruído em 1603.
O Templo de Todaiji
Criado no ano de 742, o complexo de Todaiji possuía originalmente duas enormes pagodas de 100m de altura, que caíram num terremoto. O Daibutsuden, prédio principal do complexo e também o maior prédio em madeira do mundo, era originalmente ainda maior. Depois que dois incêndios destruíram o prédio original, ele foi reconstruído com 30% a menos de altura.
O Daibutsu
A estátua gigante de bronze do Buda Vairocana, dentro do Daibutsuden, literalmente perdeu a cabeça durante um terremoto. Vendo de perto dá pra ver claramente que a cabeça não foi feita na mesma época que o corpo.
A Estátua de Hachiko
A estátua do lendário cão Hachiko, que toda noite esperava o dono voltar na estação de trem, mesmo nove anos depois dele morrer, foi uma vítima dos esforços da segunda guerra, onde todo o metal disponível foi derretido para virar armas. A estátua atual foi criada depois da guerra, pelo filho do escultor original.
Hiroshima
De longe a maior reconstrução do Japão, a cidade foi completamente pulverizada pela bomba atômica do fim da segunda guerra, e hoje em dia é uma metropóle imensa.
Depois de ver todos esses exemplos, você pode se perguntar: vale a pena ir ao Japão se tudo o que você vai ver são réplicas? A resposta é que se você está pensando assim, não absorveu o espírito japonês ainda.
No Japão, os monumentos são como rios: certamente nenhuma gota de água ou pedrinha no leito do Rio Amazonas está lá desde a época da colônia, mas ainda assim nós falamos que é o mesmo rio, desde o descobrimento. Da mesma maneira, pode ser não ser o mesmo toco de madeira que está lá no templo desde a sua construção, mas para os japoneses ele ainda é o mesmo templo.
Em retrospecto, agora eu vejo que isso foi um erro. Não é apenas o Castelo de Osaka que é uma reprodução, praticamente tudo que você for visitar no Japão foi reconstruído em algum ponto. O motivo é claro: dada a propensão a terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas e guerras com vizinhos, nada dura no Japão por muito tempo.
Mas, de longe, o maior vilão dos monumentos japoneses é o incêndio. Boa parte das reconstruções foram devidas a um incêndio. Isso é fácil de explicar se você prestar atenção num monumento típico japonês, como as onipresentes pagodas:
Convenhamos, se você vai fazer um monumento pontudo, apontando para o céu, e com material inflamável, não tem como reclamar de incêndio né? Quando o Tokugawa fechou o Japão para o exterior, ele também impediu a entrada da ciência ocidental que se desenvolvia. Aí, enquanto os japoneses brigavam com espadinha, do outro lado do Pacífico o Franklin inventava o pára-raios, que teria salvo muitos monumentos japoneses.
Só para dar um exemplo de quantos monumentos japoneses passaram por apuros, fiz uma lista com alguns dos que visitei:
O Castelo de Nijo
O Castelo de Nijo teve a construção iniciada em 1601 por ordem do próprio Tokugawa. Em 1750 ele foi destruído num incêndio causado por um raio, e poucos anos depois, em 1788, foi destruído novamente em um incêndio que queimou quase toda a cidade.
O Templo de Toji
Erigido no ano de 796, o templo de Toji foi onde surgiu inicialmente o Budismo Shingon. No século 16, incêndios e guerras destruíram a maior parte do complexo, e o Kondo, o prédio principal da foto, só foi reconstruído em 1603.
O Templo de Todaiji
Criado no ano de 742, o complexo de Todaiji possuía originalmente duas enormes pagodas de 100m de altura, que caíram num terremoto. O Daibutsuden, prédio principal do complexo e também o maior prédio em madeira do mundo, era originalmente ainda maior. Depois que dois incêndios destruíram o prédio original, ele foi reconstruído com 30% a menos de altura.
O Daibutsu
A estátua gigante de bronze do Buda Vairocana, dentro do Daibutsuden, literalmente perdeu a cabeça durante um terremoto. Vendo de perto dá pra ver claramente que a cabeça não foi feita na mesma época que o corpo.
A Estátua de Hachiko
A estátua do lendário cão Hachiko, que toda noite esperava o dono voltar na estação de trem, mesmo nove anos depois dele morrer, foi uma vítima dos esforços da segunda guerra, onde todo o metal disponível foi derretido para virar armas. A estátua atual foi criada depois da guerra, pelo filho do escultor original.
Hiroshima
De longe a maior reconstrução do Japão, a cidade foi completamente pulverizada pela bomba atômica do fim da segunda guerra, e hoje em dia é uma metropóle imensa.
Depois de ver todos esses exemplos, você pode se perguntar: vale a pena ir ao Japão se tudo o que você vai ver são réplicas? A resposta é que se você está pensando assim, não absorveu o espírito japonês ainda.
No Japão, os monumentos são como rios: certamente nenhuma gota de água ou pedrinha no leito do Rio Amazonas está lá desde a época da colônia, mas ainda assim nós falamos que é o mesmo rio, desde o descobrimento. Da mesma maneira, pode ser não ser o mesmo toco de madeira que está lá no templo desde a sua construção, mas para os japoneses ele ainda é o mesmo templo.






